
Na parte norte da Ilha dos Marinheiros, a maior parte da população trabalha com a coleta e posterior triagem do lixo seco. Geralmente o lixo é depositado e separado no próprio pátio das casas, gerando um ambiente extremamente desagradável, além dos problemas higiênicos e ambientais que esta situação causa. Além disso, o trabalho é feito de forma individualista, desorganizada e com condições inadequadas de ergonomia e armazenamento do lixo triado.
Assim, foi proposto um protótipo de central de triagem na rua principal da Ilha (que acompanha a orla), mas que poderia ser reproduzido em outras partes da mesma. Esta central abriga o trabalho de dez famílias, com locais separados para cada uma delas fazer a triagem e o armazenamento do lixo (já que cada família é “dona” do lixo que coleta), estacionamento de carroças, lugar para os cavalos pastarem e descansarem, espaço de reunião, copa e escritório.
Além disso, também foi criado um espaço comunitário, para reuniões e confraternização da comunidade, e uma sala para cursos e oficinas.
A idéia do partido foi configurar o espaço comunitário como um volume elevado, liberando o térreo para a entrada e saída de carroças e caminhões, e ao mesmo tempo criando junto à rua um espaço de ampliação, um pequeno largo, importante pois na Ilha não há sequer passeio público. Já os espaços relativos às atividades de triagem e armazenamento foram configurados como um volume implantado no centro do terreno, com a circulação e estacionamento das carroças e a área de descanso dos cavalos circundando este volume.
Todo o lixo coletado e triado é depositado em contêineres que formam as duas fachadas laterais. Desta forma, o espaço interno fica livre, possibilitando a integração entre os trabalhadores e uma flexibilidade de lay-out para uma possível novo uso destinado ao prédio no futuro.


